Sugestão de pauta
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Paulo Henrique Amorim faz, muitas vezes, em seu blog, um dos jornalismos mais nojentos que eu já vi. Um jornalismo governista, chapa branca, que acha que tudo é coisa da mídia “conservadora” e “golpista”, que quer derrubar o Lula. Está um alvoroço nos aeroportos? A mídia golpista vai lá e fala que está um caos, absurdo isso!
“A mídia conservadora (e golpista) quer tudo, menos que o caos acabe.” Claro!
Ele escreve lá: “A lei (civil e militar) é clara: cadeia para eles e para os superiores omissos.” Queria ver ele escrever sobre os invasores da USP: “Cadeia neles.” Mas pra ele, claro, os uspianos que estavam em greve faziam uma greve saudável, democrática... É isso aí.
Então estamos combinados. Criticar o governo Lula é ser conservador e golpista.
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Em matéria de nojentice, o Zé Dirceu também não fica pra trás. Esse texto é daqueles pra ser guardado e lido daqui alguns anos. Ele critica Alexandre Garcia por ter criticado a ministra do turismo Marta Suplicy fazendo menção a uma frase escrita no portão dos campos de extermínio nazista (“o trabalho liberta”). “Uma prova cabal da irresponsabilidade do jornalista, que ficará impune, e da aberta campanha de oposição das organizações Globo ao governo e ao Presidente Lula”, diz.
Ele obviamente queria uma punição para Garcia. Qual seria essa punição? Depois, ele diz que, já que o governo não moveu um dedo contra a mídia, “a quem interessa essa linha editorial”? Pra ele, deve ser difícil entender que fazer críticas (duras, às vezes) é normal em uma democracia. Isso pra mim soa um pouco como intimidação também – “olha, estamos sendo bonzinhos, sejam bonzinhos também”. Ou então...
Aí ele fala o negócio mais surreal: “(...) fica a minha indignação e a minha firme decisão de resistir e combater essa ação anti-democrática e violadora da liberdade de imprensa que impera como nunca no Brasil”.
Eu sinceramente tentei pensar pela lógica zédirceusista e confesso que me escapa a lógica dessa frase.
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Eu volto lá no blog do PH Amorim e leio: “PF de FHC não tocaria no irmão do presidente” (aqui).
Só um lembrete: a PF vem fazendo esse alarde todo por aí com dezenas de operação porque o governo quis aparelhá-la, quis fazer dela uma célula do governo. E a PF se rebelou. Além de tudo, Lula havia prometido um aumento salarial de 30%, que não saiu. A PF entrou em greve, fez pressão, está fazendo pressão. Aí o PH inventa um jeito de botar FHC no meio... e perguntar qual será a próxima crise com que a Folha, o Estadão e o Globo tentarão derrubar o Presidente Lula.
Essas críticas pra mim são surreais, ainda mais vindas de sujeitos que eram tão violentos em suas críticas ao governo anterior. Tudo agora é golpe da elite, da mídia conservadora, dos que não admitem um presidente operário ter chegado a presidência...
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A valente FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e o bravo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, nossos queridos representantes de classe, emitiram uma brilhante nota oficial sobre a morte do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, assassinado a tiros em um bar
Pois bem. E o quê os dois órgãos escreveram? Escreveram que, inicialmente, era preciso exigir o esclarecimento e punição dos responsáveis, mas que Barbon, “apesar de se auto-intitular jornalista, não o era de fato e de direito. O jornal Realidade, de sua propriedade, foi fechado pois nunca esteve regularizado e Barbom (sic) Filho não possuía o registro de jornalista, tendo sido, inclusive, processado por exercício ilegal da profissão.”
E segue dizendo ainda que “Para a realização plena dessas condições básicas de liberdade, os jornalistas têm um papel fundamental a cumprir. Isso é óbvio. Mas é doentio pensar que todo cidadão, para poder exercer esses direitos, deva se arvorar à condição de jornalista.”
Essa nota é que é doentia. O cara denuncia um bando de vereadores safados, depois é assassinado a tiros e o sindicato ainda tem a coragem de dizer que ele não era jornalista de fato e de direito, porque não tinha o tal do deploma? De fato, ele era, sim, um jornalista. E aposto que muito melhor do que os fenajistas e sindicalistas.
Dá nojo desse povo. São asquerosos e repugnantes. E ainda recebem e sobrevivem do imposto sindical, que todo ano o governo retira dos jornalistas registrados
Que sindicalismo mais estúpido e sem noção. Só faltou dizer que a culpa pela morte do cara era dele mesmo, pois não tinha o diploma. Qualquer bunda-mole pode ter um diploma de jornalista. Um diploma não faz o jornalista. Será que esse povo é tão burro pra perceber isso?
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Se por um lado acho necessário ter um pouco dessa empolgação juvenil no trabalho, é muito mais interessante pensar sempre em como isso está uma bosta e tentar melhorar.
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