segunda-feira, agosto 06, 2007

Quem é golpista?

Acho que o que mais me irrita nesse tipo de movimento como o “Cansei” é notar que muitos de seus líderes pedem uma moralidade exemplar, mas, no dia a dia, a coisa não é bem assim... sabe como é o jeitinho brasileiro. Cansei (ops) de ver empresário todo espumando de indignação frente ao governo e, na sua esfera de trabalho e vida pessoal, ser um péssimo patrão, tratar mal os funcionários, não ter respeito mínimo ao próximo. (Isso sem contar as pessoas que furam filas, desobedecem leis de trânsito, sonegam impostos, jogam lixo na rua etc.). É aquele velho lema: se você quer pedir moralidade, tenha uma moral minimamente decente. Infelizmente, não é isso que eu vejo por aí – existem as exceções de sempre, é claro.

Por outro lado, é de chorar ver que os adeptos do governo vêem os protestos contra o governo como uma coisa apenas elitista e golpista. Quer dizer, não pode mais falar mal do governo, agora?

O “Estadão” publicou ontem uma matéria excelente do Carlos Marchi, mostrando o grau de – não queria usar essa palavra, mas na falta de uma melhor, uso-a – imbecilidade. A matéria começa assim: A democracia está em xeque, acusou na semana passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao irritar-se com apupos de pequenos grupos em Cuiabá e Campo Grande. '''Com a democracia não se brinca''', ameaçou Lula, '''porque o que vem depois dela é muito pior'''. A reação não combina com o tom duríssimo com que, durante 24 anos, ele vergastou governos e personagens a quem fazia uma oposição implacável.

É mais ou menos por aí. Marchi lembra que, sob o comando de Lula, o PT apresentou vários pedidos de impeachment contra FHC – que, aliás, foi chamado de “ladrão” e “corrupto”. (José Sarney foi chamado de grileiro e Itamar Franco, de imbecil.) Diz um trecho da matéria, citando fala de Lula: 'Se eles (FHC e seus aliados) tivessem uma escola para ensinar a governar, eu não deixaria meus filhos entrar (sic), porque o máximo que meu filho ia aprender era roubar, e não governar.'

A matéria lembra o bordão “Fora FHC” lançado por uma corrente do PT, em dezembro de 1998. Mesmo não tendo aprovado o bordão, preferindo o “Basta de FHC”, Tarso Genro escreveu um artigo em maio de 1999 defendendo o “Fora FHC”.

Trecho da matéria: Só nos primeiros seis meses de 1998, um ano eleitoral, o PT fez cinco representações pedindo o impeachment de FHC, ao contrário da atual oposição, que evitou chegar ao impeachment no escândalo do mensalão.

Lula gosta de dizer que a eleição acabou em outubro, e que querem fazer um “terceiro turno” – como se todo mundo tivesse que ficar calado depois que um governo é eleito.

Em 8 de julho de 1999, o PT decidiu promover passeatas para pressionar a Câmara a iniciar um processo de impeachment contra FHC, explicou Lula à época, sem se dar conta de que a eleição acabara nove meses antes e ele tinha sido derrotado.

Na comemoração do 1º de Maio de 1997, em São Bernardo, Lula acusou FHC de estar ''metido na maracutaia dos precatórios, do Sivam, do Proer e da compra de deputados para a reeleição''. Em seguida, a CUT-SP comandou massiva vaia a FHC, à qual Lula assistiu com um sorriso maroto, sem achar - como acha hoje - que vaias ao presidente podem ameaçar a democracia.

A matéria lembra também que Lula já tomou vaias da esquerda (no Fórum Social em 2003, da CUT no mesmo ano, na fábrica da Mercedes em 2004 e pelos sem-terra no mesmo ano), mas nunca se incomodou muito. Chegou a dizer, na época, que achava a vaia tão importante quanto o aplauso.

Matéria completa aqui.

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domingo, agosto 05, 2007

Não sabia

Coluna do Elio Gaspari, na "Folha" deste domingo:

NÃO SABIA
Aborrecido com o pessoal que o vaia e faz passeatas contra seu governo, Nosso Guia disse que "essa gente ficou contente com os 23 anos de regime militar".

A ditadura durou 21 anos (1964-1985, com a eleição de Tancredo Neves), mas isso não tem importância. Pelo seu depoimento, durante os primeiros oito anos da "Revolução Redentora", Lula estava na turma dos contentes. Nas suas palavras, numa lembrança de 1993: "No tempo do milagre, eu não pensava em política. A vida do trabalhador parecia um sonho. As empresas disputavam os empregados nas portas das fábricas, oferecendo condições e salários melhores".
Lula só começou a achar que havia algo de estranho em 1972, aos 27 anos. Caso clássico de "não sabia".

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segunda-feira, julho 30, 2007

Top, top. Relaxa e goza. O caos é o progresso. O pepino. "Lula não é culpado de nada!"

E durante esse período de crise aérea, o meu nojo do governo só fez aumentar. Frases e mais frases de puro delírio, até o ápice do gozo, o gesto de “se foderam” do Marco Aurélio Garcia e o pepino do presidente da Infraero. Fiquei sabendo, aliás, que o MAG saiu do IFCH, da Unicamp. Um caso clássico...

E ele ainda tem a coragem de dizer que a mídia, “uma parcela da mídia” (que ele tem medo de dizer pelo nome) está partidarizando a política. Desde os tempos de FHC eu ouço isso: a mídia está partidarizando. Quem criticava o governo do Príncipe Papudo era petista, obviamente. Quem critica o governo do Príncipe e Sapo Barbudo está querendo derrubá-lo, obviamente. Ê Brazilzão...

Um dia terei saco e farei uma contagem de qual governo disse mais besteira "na história deste país".

Ele criticando a passeata de domingo, em São Paulo, foi o cúmulo. Chegou a dizer que a passeata estava partidarizada, “com umas frases em camisetas aqui e ali”. Protestar pode, agora todo mundo quietinho, sem falar nada. Brilhante. (Ele pelo menos trocou aqueles óculos medonhos. Já os dentes... ah, continuam os mesmos...)

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É golpe. É golpe, é golpe, é golpe!

Nessa crise toda, é engraçado como foi a “mídia conservadora e golpista” que, fazendo jornalismo, “salvou” o governo. Foi o Jornal Nacional da Globo (“má, feia e bobona”, segundo o Paulo Henrique Amorim) quem noticiou que o Airbus da TAM estava com um reverso pinado. Foi a “Veja” quem disse que “Um erro humano está na origem do pior acidente aéreo da história da aviação brasileira”. Essa mídia golpista! Pois é.

(O título deste post foi uma homenagem à cerveja Sol, intragável, por sinal.)

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quinta-feira, julho 05, 2007

Juros e juros

Mauro Halfeld, em sua coluna na CBN de ontem, 5 de julho, faz um cálculo interessante:

R$ 100,00 aplicado em caderneta de poupança em 13 anos de Plano Real: R$ 580,00

R$ 100 no rotativo do cartão de crédito ou no negativo do cheque especial em 13 anos de Plano Real: R$ 286.000,00 (considerando 10% por mês)

É claro que se pega exemplos extremos, mas mesmo assim é uma diferença e tanto.

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terça-feira, maio 08, 2007

Clube do diploma

A valente FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e o bravo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, nossos queridos representantes de classe, emitiram uma brilhante nota oficial sobre a morte do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, assassinado a tiros em um bar em Porto Ferreira. Barbon denunciou vereadores que exploravam sexualmente adolescentes da região. Com a reportagem “Corrupção de menores”, publicada em seu jornal “Realidade”, concorreu ao Prêmio Esso de Jornalismo, em 2003.

Pois bem. E o quê os dois órgãos escreveram? Escreveram que, inicialmente, era preciso exigir o esclarecimento e punição dos responsáveis, mas que Barbon, “apesar de se auto-intitular jornalista, não o era de fato e de direito. O jornal Realidade, de sua propriedade, foi fechado pois nunca esteve regularizado e Barbom (sic) Filho não possuía o registro de jornalista, tendo sido, inclusive, processado por exercício ilegal da profissão.”

E segue dizendo ainda que “Para a realização plena dessas condições básicas de liberdade, os jornalistas têm um papel fundamental a cumprir. Isso é óbvio. Mas é doentio pensar que todo cidadão, para poder exercer esses direitos, deva se arvorar à condição de jornalista.

Essa nota é que é doentia. O cara denuncia um bando de vereadores safados, depois é assassinado a tiros e o sindicato ainda tem a coragem de dizer que ele não era jornalista de fato e de direito, porque não tinha o tal do deploma? De fato, ele era, sim, um jornalista. E aposto que muito melhor do que os fenajistas e sindicalistas.

Dá nojo desse povo. São asquerosos e repugnantes. E ainda recebem e sobrevivem do imposto sindical, que todo ano o governo retira dos jornalistas registrados em carteira. Gostaria muito de saber o que faz esse povo da Fenaj e que se diz jornalista com maiúscula, com diploma e a puta que pariu.

Que sindicalismo mais estúpido e sem noção. Só faltou dizer que a culpa pela morte do cara era dele mesmo, pois não tinha o diploma. Qualquer bunda-mole pode ter um diploma de jornalista. Um diploma não faz o jornalista. Será que esse povo é tão burro pra perceber isso?

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sexta-feira, abril 27, 2007

Pá pá pá pá

Chorei.

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terça-feira, janeiro 30, 2007

Alto nível

Um exemplo de como as discussões no Brasil são de altíssimo nível.

Logo após o lançamento do PAC, o governador de São Paulo José Serra fez uma série de críticas ao pacote. Entre elas, a de que era tímido e só funcionaria se o Brasil crescesse. Algo na linha do “vamos crescer 5% se crescermos 5%” – ou seja, um troço meio bizarro e marqueteiro.

O ministro da fazenda Guido Mantega respondeu dizendo que ele não tinha lido o “programa certo” e que tímido era o “Avança Brasil”, do governo FHC, do qual ele fazia parte. Não li uma linha de Mantega criticando o conteúdo das críticas. Ele apenas criticou o fato de Serra ter criticado o programa.

Ontem, no Canal Livre, da Bandeirantes, na hora exata em que eu liguei a TV, ouvi a ministra da casa civil Dilma Rousseff dizer: “Quem foi eleito pelo povo brasileiro com mais de 60 milhões de votos foi o Lula, e não ele (Serra)”.

Surreal responder críticas deste jeito.

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