segunda-feira, agosto 13, 2007

Sugestão...

...para o nome do programa de rádio semanal do presidente: Café com Bobagem, ao invés de carrancudo "Café com o Presidente".

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segunda-feira, agosto 06, 2007

Quem é golpista?

Acho que o que mais me irrita nesse tipo de movimento como o “Cansei” é notar que muitos de seus líderes pedem uma moralidade exemplar, mas, no dia a dia, a coisa não é bem assim... sabe como é o jeitinho brasileiro. Cansei (ops) de ver empresário todo espumando de indignação frente ao governo e, na sua esfera de trabalho e vida pessoal, ser um péssimo patrão, tratar mal os funcionários, não ter respeito mínimo ao próximo. (Isso sem contar as pessoas que furam filas, desobedecem leis de trânsito, sonegam impostos, jogam lixo na rua etc.). É aquele velho lema: se você quer pedir moralidade, tenha uma moral minimamente decente. Infelizmente, não é isso que eu vejo por aí – existem as exceções de sempre, é claro.

Por outro lado, é de chorar ver que os adeptos do governo vêem os protestos contra o governo como uma coisa apenas elitista e golpista. Quer dizer, não pode mais falar mal do governo, agora?

O “Estadão” publicou ontem uma matéria excelente do Carlos Marchi, mostrando o grau de – não queria usar essa palavra, mas na falta de uma melhor, uso-a – imbecilidade. A matéria começa assim: A democracia está em xeque, acusou na semana passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao irritar-se com apupos de pequenos grupos em Cuiabá e Campo Grande. '''Com a democracia não se brinca''', ameaçou Lula, '''porque o que vem depois dela é muito pior'''. A reação não combina com o tom duríssimo com que, durante 24 anos, ele vergastou governos e personagens a quem fazia uma oposição implacável.

É mais ou menos por aí. Marchi lembra que, sob o comando de Lula, o PT apresentou vários pedidos de impeachment contra FHC – que, aliás, foi chamado de “ladrão” e “corrupto”. (José Sarney foi chamado de grileiro e Itamar Franco, de imbecil.) Diz um trecho da matéria, citando fala de Lula: 'Se eles (FHC e seus aliados) tivessem uma escola para ensinar a governar, eu não deixaria meus filhos entrar (sic), porque o máximo que meu filho ia aprender era roubar, e não governar.'

A matéria lembra o bordão “Fora FHC” lançado por uma corrente do PT, em dezembro de 1998. Mesmo não tendo aprovado o bordão, preferindo o “Basta de FHC”, Tarso Genro escreveu um artigo em maio de 1999 defendendo o “Fora FHC”.

Trecho da matéria: Só nos primeiros seis meses de 1998, um ano eleitoral, o PT fez cinco representações pedindo o impeachment de FHC, ao contrário da atual oposição, que evitou chegar ao impeachment no escândalo do mensalão.

Lula gosta de dizer que a eleição acabou em outubro, e que querem fazer um “terceiro turno” – como se todo mundo tivesse que ficar calado depois que um governo é eleito.

Em 8 de julho de 1999, o PT decidiu promover passeatas para pressionar a Câmara a iniciar um processo de impeachment contra FHC, explicou Lula à época, sem se dar conta de que a eleição acabara nove meses antes e ele tinha sido derrotado.

Na comemoração do 1º de Maio de 1997, em São Bernardo, Lula acusou FHC de estar ''metido na maracutaia dos precatórios, do Sivam, do Proer e da compra de deputados para a reeleição''. Em seguida, a CUT-SP comandou massiva vaia a FHC, à qual Lula assistiu com um sorriso maroto, sem achar - como acha hoje - que vaias ao presidente podem ameaçar a democracia.

A matéria lembra também que Lula já tomou vaias da esquerda (no Fórum Social em 2003, da CUT no mesmo ano, na fábrica da Mercedes em 2004 e pelos sem-terra no mesmo ano), mas nunca se incomodou muito. Chegou a dizer, na época, que achava a vaia tão importante quanto o aplauso.

Matéria completa aqui.

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domingo, agosto 05, 2007

Não sabia

Coluna do Elio Gaspari, na "Folha" deste domingo:

NÃO SABIA
Aborrecido com o pessoal que o vaia e faz passeatas contra seu governo, Nosso Guia disse que "essa gente ficou contente com os 23 anos de regime militar".

A ditadura durou 21 anos (1964-1985, com a eleição de Tancredo Neves), mas isso não tem importância. Pelo seu depoimento, durante os primeiros oito anos da "Revolução Redentora", Lula estava na turma dos contentes. Nas suas palavras, numa lembrança de 1993: "No tempo do milagre, eu não pensava em política. A vida do trabalhador parecia um sonho. As empresas disputavam os empregados nas portas das fábricas, oferecendo condições e salários melhores".
Lula só começou a achar que havia algo de estranho em 1972, aos 27 anos. Caso clássico de "não sabia".

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segunda-feira, junho 25, 2007

Conservadores e golpistas

Paulo Henrique Amorim faz, muitas vezes, em seu blog, um dos jornalismos mais nojentos que eu já vi. Um jornalismo governista, chapa branca, que acha que tudo é coisa da mídia “conservadora” e “golpista”, que quer derrubar o Lula. Está um alvoroço nos aeroportos? A mídia golpista vai lá e fala que está um caos, absurdo isso!

“A mídia conservadora (e golpista) quer tudo, menos que o caos acabe.” Claro!

Ele escreve lá: “A lei (civil e militar) é clara: cadeia para eles e para os superiores omissos.” Queria ver ele escrever sobre os invasores da USP: “Cadeia neles.” Mas pra ele, claro, os uspianos que estavam em greve faziam uma greve saudável, democrática... É isso aí.

Então estamos combinados. Criticar o governo Lula é ser conservador e golpista.

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Em matéria de nojentice, o Zé Dirceu também não fica pra trás. Esse texto é daqueles pra ser guardado e lido daqui alguns anos. Ele critica Alexandre Garcia por ter criticado a ministra do turismo Marta Suplicy fazendo menção a uma frase escrita no portão dos campos de extermínio nazista (“o trabalho liberta”). “Uma prova cabal da irresponsabilidade do jornalista, que ficará impune, e da aberta campanha de oposição das organizações Globo ao governo e ao Presidente Lula”, diz.

Ele obviamente queria uma punição para Garcia. Qual seria essa punição? Depois, ele diz que, já que o governo não moveu um dedo contra a mídia, “a quem interessa essa linha editorial”? Pra ele, deve ser difícil entender que fazer críticas (duras, às vezes) é normal em uma democracia. Isso pra mim soa um pouco como intimidação também – “olha, estamos sendo bonzinhos, sejam bonzinhos também”. Ou então...

Aí ele fala o negócio mais surreal: “(...) fica a minha indignação e a minha firme decisão de resistir e combater essa ação anti-democrática e violadora da liberdade de imprensa que impera como nunca no Brasil”.

Eu sinceramente tentei pensar pela lógica zédirceusista e confesso que me escapa a lógica dessa frase.

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Eu volto lá no blog do PH Amorim e leio: “PF de FHC não tocaria no irmão do presidente” (aqui).

Só um lembrete: a PF vem fazendo esse alarde todo por aí com dezenas de operação porque o governo quis aparelhá-la, quis fazer dela uma célula do governo. E a PF se rebelou. Além de tudo, Lula havia prometido um aumento salarial de 30%, que não saiu. A PF entrou em greve, fez pressão, está fazendo pressão. Aí o PH inventa um jeito de botar FHC no meio... e perguntar qual será a próxima crise com que a Folha, o Estadão e o Globo tentarão derrubar o Presidente Lula.

Essas críticas pra mim são surreais, ainda mais vindas de sujeitos que eram tão violentos em suas críticas ao governo anterior. Tudo agora é golpe da elite, da mídia conservadora, dos que não admitem um presidente operário ter chegado a presidência...

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terça-feira, janeiro 30, 2007

Alto nível

Um exemplo de como as discussões no Brasil são de altíssimo nível.

Logo após o lançamento do PAC, o governador de São Paulo José Serra fez uma série de críticas ao pacote. Entre elas, a de que era tímido e só funcionaria se o Brasil crescesse. Algo na linha do “vamos crescer 5% se crescermos 5%” – ou seja, um troço meio bizarro e marqueteiro.

O ministro da fazenda Guido Mantega respondeu dizendo que ele não tinha lido o “programa certo” e que tímido era o “Avança Brasil”, do governo FHC, do qual ele fazia parte. Não li uma linha de Mantega criticando o conteúdo das críticas. Ele apenas criticou o fato de Serra ter criticado o programa.

Ontem, no Canal Livre, da Bandeirantes, na hora exata em que eu liguei a TV, ouvi a ministra da casa civil Dilma Rousseff dizer: “Quem foi eleito pelo povo brasileiro com mais de 60 milhões de votos foi o Lula, e não ele (Serra)”.

Surreal responder críticas deste jeito.

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